quinta-feira, 5 de março de 2020

Comandante. Uma homenagem.

Depois de dias e dias de chuva, vem o sol. Minha vó dizia que chuva em dia de gente se despedindo deste mundo é lavagem de alma. Mas o Comandante era tinhoso, tem disso não. Pediu logo sol para secar as asas e voar mais alto. Até porque já veio ao mundo de alma lavada! De madrugada ainda vi estrelas... como se fossem necessárias para ele navegar... Ah, o homem sabia ler carta náutica! Sabia mexer o compasso e régua e traçar o rumo que queria. Acredito que quem escolheu este rumo foi ele. Imagina se ia deixar barato! - Vou assim, de sopetão, antes mesmo que me estraguem a festa!
Fui remando, margeando as beiradas e agradecendo este menino que me inspirou a escrever um blog depois de ler o blog dele, Trilhas do Mar. E tem livro também! Era conhecimento demais para ficar numa cabeça só, daí espalhava tudo. E espalhava de coração!
Bóias encarnadas, cardeal sul, tábuas de marés, nuvens, de tudo sabia quase tudo!
Mas mais do que sapiência, o homem tinha coração. Tinha umas rabugices danadas. Um humor ferino quando a ocasião pedia. Não era santo não. Já discutimos de me dar tristeza. Mas já fizemos muitas declarações de amor mar afora. 
Hoje fui me despedir no mar. Despedir da matéria indo. Porque da alma não despedimos nunca. Ficam memórias. 
Não sei se existe outro plano e se existir nem sei se o homem vai ter olhos em mim e naquilo que faço pensando nele. Mas a única coisa que podemos fazer com as pessoas extraordinárias que nos deixam é contar as histórias, é perpetuar o jeito de ser. Muitas vezes fazem até estátuas! Mas não precisa de estátua, pois as beiradas me trarão o Comandante sempre que eu navegar por elas. Voa Comandante! Voa!








Assim te vi hoje. Como era o nome daquela gaivota mesmo? Aquela que encontrávamos toda vez que saíamos ao mar?